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12/11/2020
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Clacir Romagna: o homem que conquistou o máximo prestígio entre o setor empresarial e turístico de Garibaldi e região

Por Rodrigo De Marco

rodrigodemarco90@gmail.com

@sr_demarco

A trajetória de um grande líder é trilhada com humildade, perseverança, experiência e paixão. Não é tarefa fácil, no entanto, conquistar esses requisitos. O empresário Clacir Romagna, 73 anos, está nesse grupo seleto de líderes. Bento-gonçalvense de nascimento, é possível dizer que Romagna é um garibaldense de coração. Ao longo de sua trajetória profissional não poupou esforços e sempre acreditou em suas ações. Casado com Emeri Maria Fittarelli Romagna, é pai de dois filhos (Emiliano e Cristiano) e avô de Alice. Uma de suas primeiras experiências foi no Supermercado Imcoloss/Calcagnoto (Cine Rex Populi) na função de administrador do mercado. Um salto importante na carreira viria em meados dos anos de 1980. Em 1985 começou a participar das reuniões de Secretários de Turismo da região para ter um conhecimento mais abrangente deste ramo, sendo que em 1986, foi nomeado Secretário de Turismo de Garibaldi na Administração do Ambrósio Chesini e do Sérgio Chesini. Foi então que Romagna ganhou a merecida visibilidade realizando um trabalho exemplar à frente da secretaria. Em 1991 se tornou Sócio-Gerente do Restaurante Fenachamp, juntamente com os sócios Celio Sganzerla e Tarcisio Pegoraro.

Confira nas linhas que seguem a entrevista exclusiva que Romagna concedeu ao Jornal Novo Tempo e se inspire com um dos empresários de maior destaque e prestígio de Garibaldi e região.

Jornal Novo Tempo: O senhor tem um papel fundamental e exemplar no que tange o turismo em Garibaldi, participando, inclusive da fundação da Atuaserra (Associação de Turismo da Serra Nordeste | Instância de Governança Regional Uva e Vinho Serra Gaúcha). Fale resumidamente como foi essa união dos municípios da Serra Gaúcha.

Romagna: A Atuaserra foi constituída em 1985, juntando inicialmente os secretários de turismo de Garibaldi, Carlos Barbosa, Bento Gonçalves, Veranópolis, Nova Prata, Guaporé, Serafina Correa, Farroupilha, Caxias Do Sul, São Marcos, Flores da Cunha e Antônio Prado. Eu sou membro fundador, fui presidente, tesoureiro e outros cargos dentro da Atuaserra, e até hoje faço parte desta associação voltada para o turismo. Mais especificamente para Garibaldi, dentre tantos projetos que foram criados, lembro de alguns que até hoje fazem parte da identidade de nossa cidade: Iniciamos com a inclusão no plano diretor de limites na construção de edifícios no centro histórico, com auxílio do IPHAN e posterior tombamento de 48 prédios. Diversos outros projetos foram criados para alavancar o turismo de Garibaldi. Alguns não existem mais, como a Colassion que era realizada no parque da Fenachamp, e outros ainda são um grande símbolo de Garibaldi, como os passeios de Tim-Tim, criado com o intuito de visitar o centro histórico, e não podemos esquecer da Pícola Garibaldi. O Pórtico no Trevo, e o símbolo Garibaldi terra do champanha, foi uma criação que simboliza 3 segmentos: a agricultura representada pelo cacho de uma; a taça representando o champanha; o museu representando a centro histórico e a cultura da cidade.

Jornal Novo Tempo: O senhor tem uma linda trajetória no empreendedorismo garibaldense e no ano passado, inclusive, recebeu o título de Embaixador do Turismo. Como foi receber essa homenagem do próprio município?

Romagna: Fico muito grato por ter sido lembrado pelo Comtur e posso dizer que recebi essa homenagem do Município com muito entusiasmo e surpresa. São entidades como esta, que congrega voluntários e pessoas que querem ver Garibaldi se desenvolver turisticamente, não medindo esforços para isso. Nossa cidade tem um potencial turístico natural e cultural, nada precisa ser forçado artificialmente para atrair o turista. O nosso povo gosta de receber o turista, gosta de receber as pessoas, somos um povo naturalmente hospitaleiro. É isso que deve ser estimulado nas próximas gerações, o empreendedorismo voltado para as áreas de cultura e turismo. Essa é a visão que tenho do Comtur, uma entidade representativa que agrega e organiza a identidade turística de Garibaldi, que conhece a nossa cidade.

Jornal Novo Tempo: Desde 1991 o senhor está à frente do Restaurante Fenachamp. Ao longo desse tempo quais foram os maiores desafios enfrentados?

Romagna: Inicialmente, fui chamado pelo Prefeito Ambrósio para fazer parte de um trabalho de recuperação financeira do Restaurante Fenachamp, onde dedicava três meio turnos semanais para esta atividade, sem remuneração e sem deixar o trabalho Imcoloss. Enfrentamos muitos desafios, inclusive estruturais, mas o maior deles foi levar o nome do Município e do Restaurante para as agências de viagens, e convencer o turista que Garibaldi não é apenas um ponto de passagem e sim uma ótima cidade para ser visitada e aproveitada turisticamente falando. O Esqui foi o ponto de partida para este projeto, milhares de pessoas visitavam a Estação do Esqui e não entravam em Garibaldi. Foi ali que fizemos um trabalho muito forte de divulgação do Restaurante Fenachamp e quando o turista se dirigia até a gente, continuávamos o trabalho divulgando os outros atrativos turísticos da cidade. Hoje o Restaurante Fenchamp conta com três sócios, 10 colaboradores fixos e diversos garçons freelancers conforme a demanda.

Jornal Novo Tempo: Antes da pandemia o restaurante recebia uma média de quantas pessoas ao mês e qual é o público mensal de hoje, quando comparado aos três primeiros meses do ano?

Romagna: Com a Pandemia tivemos uma redução drástica de clientes, inclusive, ficamos fechados por 160 dias. Retornamos com 50% da nossa capacidade de atendimento e somente 3 dias por semana. Atendíamos no início do ano aproximadamente 2.000 pessoas/mês, agora não passa de 700 pessoas, além de uma grande perda com os eventos que foram cancelados (casamentos, formaturas, aniversários, coquetéis, etc).

Jornal Novo Tempo: A pandemia deixou um legado de aprendizado?

Romagna: A Pandemia nos ensinou a vermos o mundo do empreendedorismo de uma nova forma, nos fez pensar fora da caixinha, a ver que não estamos sozinhos nesta batalha. Vimos um crescente movimento de união em todo o setor do turismo e da alimentação. Nossos colegas empreendedores aumentaram a troca de experiências e de ideias para esta nova realidade, criamos canais de comunicação e divulgação de nossas atividades mais conjuntamente, sempre com muita organização e disciplina. Um exemplo foi a Associação Garibaldi Gastrô e a Atuaserra, as quais auxiliaram na sinergia entre todos nós, sempre incentivando e orientando todo o setor turístico, divulgando nosso trabalho e nos orientando para o futuro Pós-Pandemia. Logo no início da Pandemia, com tudo fechado, acreditei que o setor turístico ia ser o mais prejudicado e o último a retornar com as atividades. Acertei em parte, foi bastante prejudicado sim, mas retornamos com confiança na recuperação imediata, pois as pessoas estão muito ávidas par sair de casa depois de tanto tempo de confinamento, sempre respeitando as medidas de segurança sanitária.

Jornal Novo Tempo: Quais foram os incentivos que o senhor recebeu para adentrar no mundo do empreendedorismo?

Romagna: Sempre fui empreendedor, não tenho medo dos desafios, mas os estudos e minha experiência de vida fizeram que eu adentrasse com mais afinco e responsabilidade no mundo dos negócios.

Jornal Novo Tempo: Na sua opinião, o que o empreendedor precisa ter para se tornar um empresário de sucesso?

Romagna: No meu entendimento, o empreendedor para se tornar um empresário de sucesso deve trabalhar muito, ouvir sua equipe e sempre estabelecer o diálogo como forma de resolução de conflitos. Para o início de qualquer negócio deve ser feita uma pesquisa de mercado, estudo de viabilidade e um plano de ação muito objetivo e sério. Os recursos devem ser geridos com muita responsabilidade.

Jornal Novo Tempo: Quais foram os principais momentos mais marcantes da sua vida de empresário?

Romagna: Alguns momentos mais marcantes na minha vida de empresário foram:

1.Quando trabalhava na Imcoloss quando comprei uma máquina de fazer sorvetes e picolés que ninguém acreditou que ia dar certo. Estavam enganados, começamos a fabricar e em 5 meses pagamos o investimento vendendo em todas as 5 lancherias da rede, carrinhos de picolés nos jogos de futebol e na cidade;

2. No Restaurante Fenachamp lembro bem do primeiro dia que abrimos ao público, e atendemos 18 clientes, foi uma satisfação enorme.

3. Também no Restaurante Fenachamp, tenho lembrança das noites que abríamos aguardando a vinda de clientes e muitas vezes fazíamos janta para nós mesmos, mas nem por isso desistimos.

4. Após 9 meses de muito trabalho, divulgação e dedicação, recebemos a primeira excursão da CVC. Foi um marco histórico, que mostrou que nosso projeto estava alavancando e que aquela semente plantada começou a germinar.

Jornal Novo Tempo: Quais são as pessoas, pensadores e líderes que mais lhe inspiraram na vida?

Romagna: Sempre me inspirei muito na minha família, desde a época de guri, quando ajudava no moinho da trigo e milho da família junto meu avô, mãe (viúva) e irmãos que tocavam os negócios e trabalhávamos muito duro para sustentar uma família de 8 irmãos.

Jornal Novo Tempo: O que Garibaldi representa na sua vida?  

Romagna: Garibaldi representa para mim a realização de minha vida. Aqui escolhi para viver e constituir minha família. Fiz grandes amizades e conheci pessoas fantásticas. Sempre acreditei no potencial empreendedor e turístico das entidades de Garibaldi, e tenho certeza que podemos mais, pois disposição e pessoas sérias para o trabalho não falta em nossa cidade.

Jornal Novo Tempo: Que mensagem final o senhor deixaria para os leitores do Jornal Novo Tempo que estão pensando em investir num negócio próprio?

Romagna: Estude muito; acredite no seu potencial; ouça as pessoas; respeite as opiniões; trabalhe muito; faça os investimentos de acordo com as suas possibilidades; converse com sua família (nosso alicerce e quem melhor nos conhece).


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