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03/06/2016
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Empreendedor do setor de comércio, filho de uma família tradicional do varejo de Garibaldi, Damian Chiesa decidiu vender sua loja e dedicar-se em tempo integral a produção orgânica em seu sítio, no Borghetto

Opção de vida e bom negocio.

Um refúgio bucólico a menos de dez minutos do centro da cidade. Pode parecer uma definição utópica ou até mesmo contraditória, ainda mais na agitação da “vida moderna”. Mas foi em um local assim que o empresário, Damian Paulo Chiesa, 32 anos de idade, decidiu viver.

E mais. O filho de uma família tradicional no comércio de Garibaldi - os pais Peluiz e Mari são proprietários das Lojas Andreolio e a irmã, Melisse, da Loja Faon - decidiu trilhar um caminho diferente.

Há pouco mais de um mês vendeu a Loja Anauê, estabelecimento que administrou por quase 12 anos, e decidiu dedicar-se totalmente a produção orgânica. Se o empreendedorismo está no sangue, a ligação com a agroecologia não é nenhuma aventura.

“Antes mesmo de comprar uma área, eu e um amigo plantávamos no quintal da casa dele, para consumo próprio e das famílias”, lembra Damian. Mas a opção de vida também acabou tornando-se negócio.

Há sete anos adquiriu uma propriedade rural no Bairro Borghetto, distante quatro quilômetros da cidade. Foi aí que resolveu iniciar uma produção um pouco maior.

“A motivação iniciou com a busca em ter um alimento limpo, sem contaminantes para mim e para a família. Depois de comprar a propriedade, surgiu a necessidade de uma fonte de renda para mantê-la”, explica.

Casado há um ano com a jornalista Ana Cláudia Mutterle Chiesa, vivem na propriedade de aproximadamente cinco hectares com um foco exclusivo na sustentabilidade. Toda a área está em constante adequação para manter-se em equilíbrio, com o uso responsável do solo, da água e dos demais recursos naturais.

Associado à Cooperativa de Produtores Ecologistas de Garibaldi (Coopeg), destina toda a sua produção (alfaces, espinafre, salsa, temperos, couve-folha, agrião, tomate e frutas) a sua rede de clientes, principalmente aos supermercados Zaffari e lojas especializadas em produtos orgânicos. Além disso, em breve deve voltar a produzir cogumelos champignon, em conserva natural e in natura. 

Segundo normas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), na agricultura orgânica não é permitido o uso de substâncias que coloquem em risco a saúde humana e o meio ambiente. Não podem ser utilizados fertilizantes sintéticos, solúveis, agrotóxicos e transgênicos e para comercializar seus produtos é necessário que os produtores tenham uma certificação de um Organismo de Avaliação da Conformidade Orgânica, credenciado junto ao Mapa.

De acordo com Projeto Organis Brasil, programa ligado à Agência Brasileira e Promoção de Exportações e Investimento, o crescimento esperado para o setor, nos próximos anos é de até 40% por ano.

No Sítio Crer Ser, Damian já faz planos para integrá-lo a um projeto de turismo ecológico. Por isso está investindo na implantação de um salão de eventos e uma hospedagem para receber turistas, estudantes, além de eventos. Além disso, também projeta um cardápio com refeições naturais para grupos sob reserva.

Segundo ele, é gratificante saber que está entregando saúde e qualidade de vida para as pessoas. “Depois de um bom dia de trabalho ter a certeza de estar em paz com aquilo que produzo. Fazer amigos que compartilham a mesma filosofia e buscam de alguma maneira deixar esse mundo melhor”, comenta.

A escassez de mão de obra especializada na produção de orgânicos ou de pessoas que queiram trabalhar na agricultura é um dos desafios. Damian também inclui, nesta lista, a grande e rápida variação climática da região, o que obriga a utilização de técnicas alternativas para evitar perdas. “É preciso saber qual é a forma adequada para cuidar de cada caso”.

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Redação

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